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terça-feira, julho 13, 2010

uma música no ar...

Depois de ter escrito este post, bem sei que foram muitos os surpreendidos de me encontrarem naquele terreno baldio ali em Algés no final da semana passada. Pois bem, venho aqui repôr justiça nos factos, para não me chamarem troca-tintas, fala-barato, e outras coisas piores. Assim sendo, começo por argumentar que a minha relação com o Optimus Alive estava por um fio, qual relação entre duas pessoas que já não se querem, que as diferenças entre eles estão de tal forma vincadas que não há volta a dar e que é praticamente assumido que o melhor mesmo é ir cada um para o seu lado antes que a coisa se torne ainda mais inconveniente. E ao escrever o tal post citado acima já estava mesmo com a cabeça feita que não havia nada a fazer. No entanto, aconteceu uma coisa que me fez pensar dar uma última oportunidade à relação -  ter encontrado dois bilhetes de 3 dias à venda na fnac na 4ª feira, dia 7 de Julho (sim, na véspera do início da coisa). Tomei como um sinal, e impondo-me a mim mesmo 2 condições mínimas - ter que chegar a horas de ver os Local Natives e não ir lá no dia 9 - anudi em ir passar umas horas no tal terreno baldio.
Suspeitei que a coisa podia não resultar logo cedo, quando faltavam 15 minutos para começar o concerto dos Local Natives e a fila para trocar pulseiras teimava em não andar - a Optimus não me parecia disposta a fazer qualquer tipo de esforço. Cheguei 10 minutos atrasado, mas rapidamente esqueci isso, porque deram um excelente concerto, bem animado e com a tranquilidade que se deseja, uma vez que mesmo estando em festival ainda só se encontravam na tenda cerca de 200/300 pessoas. Logo se seguiu mais um animado concerto dos The Drums, com a sua surf pop e toques de Joy Division e Cure que em nada é original mas permite movimentar o corpo de acordo com o ritmo. Devendra também deu um excelente concerto para uma pessoa como eu que pouco conhece, tendo me dado bastante vontade o ir descobrir melhor. Até aqui, tudo perfeito para o que eu quero - bons concertos de bandas que pouca gente conhece e concertos que me fazem querer descobrir mais da banda. Até já me tinha esquecido do episódio das pulseiras (apesar dos relatórios da "frente da batalha" não serem nada animadores) e dei por mim a pensar que afinal havia luz ao fundo do túnel, que nem tudo estava perdido. Talvez apercebendo-se disso, a Optimus decidiu dar sinais que a coisa não ia ser bonita - abriu as portas ao histerismo de uma tal Florence e uma máquina cópia barata da Kate Bush que me fez fugir do palco secundário, e quando tentei voltar para espreitar um bocadinho os xx que tocavam a seguir já era impossível de o fazer. Ouviu-se um bocadinho lá do fundo da tenda, viu-se pouco ou nada, mas do que se viu a coisa também não estava a ser por aí além, pelo que rumámos ao palco principal para ver os Faith No More (ah, só agora me lembrei que ainda perdi para aí 15 min com Alice in Chains e 5 com Kasabian e foi o suficiente - atrocidade meterem Alice in Chains sem o Layne e Kasabian foi giro em 2004...). O entusiasmo para Faith No More era relativo, não esperava mais do que o que tinham feito o ano passado no Sudoeste e a meu ver não fizeram. Ainda é o mesmo espectáculo, com a mesma base, variando aqui e ali numas músicas e ainda para mais tinham um público menos conhecedor do seu trabalho do que os que foram até ao Sudoeste o ano passado, o que também ajuda a criar a aura num concerto. O público do Optimus é um público da moda, que vai ver as bandas da moda (a tal florence, os tais xx e conhecem apenas o Easy e o Epic e pronto e mais acrescentarei sobre isto quando falar dos Pearl Jam) e acho que não souberam aproveitar bem o animal de palco que é o Mike Patton. Fim de dia. 
Dia 10 - sábado - chegada cedo para evitar confusão e para ver os Girls que desiludiram, acho que podiam ter dado mais energia ao seu bom Album. Mas logo a seguir tivémos um excelente concerto - os Sean Riley & The Slowriders marcaram muitos pontos na sua caderneta, mandaram cá para fora toda a energia que tinham e conquistaram-me definitivamente - arrisco dizer que são a melhor banda portuguesa de rock da actualidade. Muito bom concerto, com comunicação com o público espontânea, improvisação nas músicas, troca de posições dos músicos e um final apoteótico. Não me lembro agora o que mais havia entre o final deste concerto e o início dos Pearl Jam, mas andámos ali para trás e para a frente e nada do que ouvi e vi me convenceu, pelo que a opção passou por ir logo lá para o meio em Gogol Bordello e esperar que acabasse para dar vez aos Pearl Jam. (concerto de gogol morno comparativamente com o de há 2 anos, parece-me que mantêm a fórmula sem o importante impacto inicial). E então veio o momento de ruptura final com o festival Optimus Alive, servido da forma mais fria que me podiam ter feito e que acho, sinceramente, não merecia - os Pearl Jam versão greatest hits. Isto é o pior que me podem fazer - obrigarem-me a ficar no meio de uma multidão que só sabe cantar os Alive's, Betterman's, Daughter's, Wishlist's, Given To Fly's e ainda para mais sabe de cor os mais recentes enjôos The Fixer e Just Breathe. Às tantas cheguei a pensar que até o Last Kiss poderia ser tocado, num desespero tal de agradar aos fãs da Rádio Comercial que me deixou deveras desiludido. E não me venham com a conversa de que isto é festival e eles tocaram para público de festival - isso para mim é bullshit. Uma banda íntegra não faz variar o seu set por ser um festival ou não! Toca as músicas que mais lhes apetece neste momento e não vai lá pelo fácil. Isto foi para mim uma total rejeição de uma veia punk, suja, com garra que são o que eu aprecio nos Pearl Jam e que sei que eles têm. Agora estou é na dúvida que se pode tornar reveladora (ou não) - serão afinal de contas estas as músicas que eles mais gostam? Ou só tocaram mesmo para agradar o público? De qualquer das formas, o meu amor incondicional sai ferido e a perda é irreparável. Não sei que efeitos futuros terá, mas não há dúvidas que os senhores da Optimus acolheram a minha tentativa de salvar as coisas com requintes de maldade, e no final quem saiu mais magoado desta quebra de relação fui eu. Há sempre alguém que fica pior, certo?

PS.1 - James Murphy deu um bom concerto. Mas apanhou-me numa fase de mágoa e foi portanto apenas uma forma de alívio fugaz.

PS.2 - Optimus 2010 foi a confirmação que ultrapassou Sudoeste no festival mais social do país. A maioria das pessoas que lá andavam não faziam puto ideia das bandas que tocavam mas foram, porque interessa é ir para ter conversa com os amigos, se digo que não fui até me olham de lado, por isso toma lá 90€ ou 50€, preço a pagar para ser considerado uma pessoa fixe.

sexta-feira, junho 25, 2010

uma música no ar...

Só para informar os senhores da Optimus que é muito feio traírem clientes habituais. Assim não vão longe, todos sabemos que um cliente perdido não se recupera facilmente. Desde que o tal festival de Algés ou Oeiras ou lá o raio que aquilo se chama começou que lá vou todos os anos ver as modas, e este ano, sem razão aparente, fui impedido de entrar. Pois bem que fiquem lá com os vossas bandas de merda e cromos repetidos que já tive a oportunidade de ver noutras ocasiões que estou simplesmente a marimbar-me. Não merecem. Já num post anterior tinha falado sobre isto. Meter os Local Natives às 17h e os Drums às 18h30 num dia de semana? Ter um dia (9) empilhados com bandinhas da caca, que já estavam mortas e enterradas e lembraram-se de ir buscar só para nos ir mais facilmente ao bolso? Ide dar uma volta ao bilhar grande (na minha cabeça lê-se outra coisa pior nesta frase, mas sendo este um blog respeitável e para famílias não vou abandalhar a coisa)! Só lá ia porque tocaram num ponto sensível que nunca consigo resistir, os Pearl Jam, mas agora que sei que não vou digo-vos sinceramente - ainda bem. A última vez que cá estiveram em festival (no mesmo Optimus há uns anos) foi um desfilar de greatest hits que não me agradou nada. Portanto, para finalizar, tenho a dizer que muito provavelmente não voltarei a ser cliente optimus depois desta brincadeira. Azar o deles.

quinta-feira, abril 29, 2010

um olhar e um sorriso...

Já lá vão 9 filmes e está a ser (mais) um excelente IndieLisboa. E para já é tudo, uma vez que, não sei se leram, ouviram dizer ou repararam, mas continuo sem muita vontade para escrever.

sexta-feira, março 05, 2010

uma música no ar...

Aqui venho apresentar o meu manifesto sobre a situação em que se encontra a indústria de organização de concertos no nosso país. Acho que é um assunto onde claramente podemos inquirir: "Não há quem ponha mão nisto?"
Para começo de conversa, parece que estamos perante uma situação de oligopólio, no qual duas majors, Everything is New e Música no Coração, dominam o mercado a seu bel prazer, tirando alguns eventos mais apontados a nichos de mercado (Paredes Coura sendo o mais representativo) e tirando o supermercado aos fins de semana que se denomina de Rock in Rio. Aonde é que isto nos leva - a uma guerra entre as tais majors, que se mais não fazem do que preocupar-se única e exclusivamente em roubar público à outra, que tem como consequência a repetição até à exaustão de concertos por estas bandas. Evidence A - os concertos de xx e La Roux nos festivais e em nome próprio separados apenas por 2/3 meses. E o público que deseja concertos diferentes, novas bandas? "Que se lixem esses, eles não sabem o que querem, nós, a Nobreza da organização dos concertos em Portugal é que sabemos!" Pois bem, sinto poder falar em nome próprio e tenho a dizer o seguinte - Não brinquem comigo! O que eu quero é inovação, novidade e bandas de música a sério.
Senhores do Super Bock - The National já cá vieram 4 vezes nos últimos 3 anos. Cut Copy já cá vieram, John Butler Trio e Temper Trap idem. Palma's Gang? Nem vou comentar... 
Senhores do Optimus - Faith No More vieram cá o ano passado. Gossip agora é todos os anos? Gogol Bordello ainda há 2 anos. LCD Soundsystem e Pearl Jam maravilha, mas mesmo assim, cromos repetidos. Kasabian - repetidos.
Olhar para estes cartazes faz mesmo lembrar aquele sentimento de criança de abrir as carteirinhas dos cromos e serem todos repetidos, uma tristeza. Onde andam os Foals, os Fanfarlo, os Spoon, os Pavement reunidos, os Fleet Foxes, os Japandroids, os Girls, os Them Crooked Vultures, os Broken Social Scene (já cá vieram mas há muitos anos e em Coura, só podia), os Noah & The Whale, os Ra Ra Riot, os Black Kids, os Delta Spirit, o Bon Iver, o Beirut, os Akron Family, os Dinosaur Jr.?
Sou eu que estou mal, admito. Ao reler este post é a conclusão a que chego. No fundo não quero que estas bandas venham cá em festivais, que se lixem os festivais, quero concertos em nome próprio em locais amistosos como Aula Magna e Coliseu. Será que há espaço para uma produtora de concertos independente em Portugal, que me veja como um nicho de mercado e faça os concertos que eu quero, onde eu quero?

quarta-feira, agosto 12, 2009

uma música no ar...

Tardou um pouco, mas finalmente aqui fica a minha reportagem do Paredes de Coura 09. Foi um ano um pouco atípico para este festival, uma vez que, sem patrocinador principal, terá sido uma tarefa bem mais complicada montar um cartaz forte como fazem ano após ano, com bandas emergentes e alguns nomes fortes. De qualquer forma, o espírito mantém-se e ali, isso é o mais forte de tudo. É um verdadeiro festival virado para a música e no qual tudo o resto é acessório.


Vamos então à música; Dia 1 (29 Julho) iniciou-se com os Temper Trap, uma banda australiana com um som interessante e que funcionou muito bem como responsável por abrir as hostilidades. Demonstraram energia e debitaram o seu rock bem ritmado que agradou quem já se encontrava pelo recinto.


Seguiram-se os por mim muito esperados The Pains of Being Pure at Heart e não desapontaram. Não que tenha sido um concerto extarordinário, nota-se que ainda são uma banda verdinha, mas entregaram-se às músicas que trouxeram e agradaram ao público que ia crescendo junto ao palco, alguns já fortes conhecedores do álbum de estreia da banda. Soube bem.



The Horrors fizeram jus ao seu nome, com o seu pseudo-goth-shoegaze-pós-rock. Boa altura para ir comer.


Era então chegada a hora de mais um ansiado concerto - Supergrass, que mesmo com 15 anos de carreira nunca tinham vindo a Portugal. E acho que sinceramente valeu a pena deixar passar o buzz de quando eram apenas a banda do "Allright", Cresceram, editaram vários bons discos e mostraram em concerto que não são os One Hit Wonders como muitos os rotularam na altura. Excelente rock, músicas com "Richard III", "Sun Hits the Sky" e "Moving" forma muito bem vividas, um concerto sem muito aparato, deixar a música valer por si.



E chegados estávamos aos cabeças de cartaz - Franz Ferdinand, que apesar de já cá terem vindo várias, vezes, nunca os tinha visto. Mais abaixo no blog já está uma boa reportagem a este concerto, e eu quero apenas acrescentar que foi realmente muito bom, um dos senão o melhor do ano, acho que sentiram a energia que vinha do público e beberam daí para criar um excelente concerto. Um bom balanço entre os 3 álbuns, que cultiva uma mistura entre o rock e também um lado mais sintetizador no recente, que funcionou muito bem e agradou a todos.



Dia 2 (30 Julho) - Dia mais para cumprir e ver o que aparecia, sem grandes expectactivas. Começou com um bocado bem passado na relva, e à hora marcada os Mundo Cão foram os responsáveis pela abertura do panco principal. Têm um estilo próprio, um pouco colado aos Ornatos, que não é claramente o meu e acho que deram um concerto razoável, sem espinhas.


Seguiram-se os Portugal. The Man. Um retorno ao rock anos 70, psicadélico, longas músicas, poucas palavras para com o público, no país que ajudou a dar o nome da banda. Quem gosta do estilo (o outro repórter Fred curtiu bastante) achou um concerto muito competente e suficiente para ir descobrir mais sobre a banda.


Os Blood Red Shoes foram a meu ver o ponto alto deste dia. Tinha ouvido 2/3 músicas deles e achei que ganharam o público com o seu som simples (uma bateria, uma guitarra e voz à la White Stripes) mas bastante animado. Notou-se que já têm uma boa base de fãs por cá, e passaram muita energia para o público.


Peaches merece referência apenas por lhe ter conseguido tirar uma boa foto


Ah, e acho que houve uns senhores que ainda tocaram depois. Comecei a ouvi-los e passadas 3 músicas fomos à nossa vida. Balanço final bastante positivo, o primeiro dia só por si valeu muito e sabe sempre bem regressar a Paredes de Coura!

segunda-feira, agosto 10, 2009

uma música no ar...

Teve de ser. Pela primeira vez na minha vida fiz o Grand Slam dos Festivais de Verão do nosso cantinho - Optimus Alive, Super Bock Super Rock, Paredes de Coura e Sudoeste no mesmo ano. Para mais tarde recordar, porque estou certo que é algo que nunca mais se irá repetir. Foi muito tentador a junção de factores - completar o Grand Slam e ver os Faith No More e como tal não resisti - fui até à Herdade da Casa Branca picar o ponto. Mas no final fui eu que fui marcado, por um grande concerto - Mike Patton e sua companhia demonstraram energia, empenho, alegria por cá estarem (num país que, como ele destacou, foi onde em 1998 a banda acabou, "after a very long tour"). Puxaram por todos os que lá se encontravam, muitos (tal como eu) propositadamente para os ver, animaram, cantaram uma música completa ("Evidence") em português, um setlist muito bom, balanceando baladas com as músicas mais duras, foram agressivos quando era para o ser e calmos quando também era tempo disso. Muito, muito bom!



Quanto às outras bandas, fiquei desiludido com os Blind Zero, não percebo como uma banda com um reportório alargado como eles resolve fazer 2 covers que em nada acrescentam às versões originais, ainda para mais num concerto de apenas 55 minutos? Para mim não se justifica. Bem melhor estiveram os X-Wife, banda muito competente e que animou bem as hostes na abertura do palco principal.



Uma palavra também para o ambiente. Definitivamente, o Sudoeste não é um festival de música, é uma feira de vaidades. Montanha-Russa? 4 palcos com músicas distintas a chocarem entre si (o episódio do Tigerman é ilustrativo, palmas para ele!!)? Montes de patrocinadores a distraírem as atenções dos concertos, com música muitas vezes mais alta? Muito provavelmente, e salvo banda mesmo muito forte, não lá voltarei tão cedo...

quarta-feira, julho 29, 2009

uma música no ar...

Amanhã,

"I'm on a highway to Coura,
tã tã
Highway to Coura
I'm on a highway to Coura
And I'm going down!"

quarta-feira, julho 22, 2009

uma música no ar...

Esta cantei-a (berrei-a) eu praticamente sozinho, já que a maioria do pessoal que por lá andava só queria era Humans e Spacemans... Uma maravilha!

segunda-feira, julho 20, 2009

uma música no ar...

Regra número 1 de um concerto de rock: Não repetir músicas num concerto, muito menos fazê-lo de forma seguida. Por mais que o público tenha continuado a cantar, não quer dizer que a queiram ouvir outra vez, o público que gosta da banda quer mesmo é ouvir as restantes músicas do vosso portfolio (que neste caso seria mais que suficiente para 3/4 horas de concerto).

Regra número 2 de um concerto de rock: Sendo a primeira vez num país, incluir no setlist as vossas melhores músicas, e não músicas só por estarem no (pior) último álbum.

Regra número 1 de um festival de rock: Haver lógica na definição da ordem de actuação das bandas. Uma cantora pop, seguida de uma banda rock bem a abrir, seguida de outra cantora pop, como preparação de uma banda rock, não faz o mínimo sentido.

Tirando estes àpartes, foi giro ouvir algumas músicas, mas agora vou abandonar os The Killers ao seu futuro pop na pegada dos U2. Nota bastante positiva para os Mando Diao.

quarta-feira, julho 15, 2009

uma música no ar...

Dia 3 - 11 de Julho - Último dia Optimus Alive09. Sendo sábado permitiu não haver correrias, deslocar-me até ao recinto tranquilamente, não foi necessário estar no carro a mudar de roupa. E à terceira foi de vez - lembrei-me de levar a máquina fotográfica!

A Silent Film - Mais uma banda igual aos Keane e a tantas outras do estilo. Não acrescentam nada mas para aperitivo, foi bom. O seu ponto alto foi a última música, uma cover de "Born Slippy" que deixou bem animado o público que ali se encontrava, entre os quais já contavam alguns hardcore da banda.


Los Campesinos! - O momento mais esperado do Optimus Alive09! O que eu dancei, saltei, cantei! É um estilo de música que realmente não dá para ficar parado, muito animado, alegre. Foram eles próprios que estiveram a montar os seus instrumentos, mostraram desde aí empatia com o público que os reconheceu e isso foi crucial no desenrolar do concerto, com muita conversa, boa música e uma excelente performance. O concerto acabou com 3 dos membros da banda a fazer crowd surf, outro a tomar banho de Super Bock, outro em cima das colunas, enfim, o deboche. Grande concerto!




Chris Cornell - Já cheguei com o concerto em andamento, mas pelo que constou, um início com as novas músicas não foi fácil de assimilar. Mas quando se arrancou com músicas de Soundgarden e Audioslave, fez-nos realmente sentir nessa altura, como se o tempo não tivesse passado. "Hunger Strike", "Outshined", "Rusty Cage", "Spoonman" foram muito potentes e o Chris continua em grande forma. Houve pelo meio uma (como alguém lhe chamou coito interrompido) passagem por mais 2 músicas novas horríveis, mas ele lá voltou a atacar o passado e fazer a vontade ao público que por ali andava.


Dave Matthews Band - Eu não sou Dave Matthews. E nestes casos a pessoa ou é, ou não é. Tentei. Experimentei. It is just not my thing. Ainda apreciei o concerto durante uma hora, mas o cansaço de 3 dias começou a tomar conta e não resisti a abandonar os que tanto gostam do Dave. Sei que ficaram bem entregues.

Fechar de cortinas, cortar pulseira, guardar no livro de recordações, juntamente com os vossos nomes, Carla, Mauro, Barata, e Sara, e também Rita, Maria João, Gi, Thiago, Alessandra, que me acompanharam.
(Parte 3/3)

terça-feira, julho 14, 2009

uma música no ar...

Dia 2 - 10 de Julho
Neste dia só se viu um concerto completo, o último. Tudo o resto foi espreitado, fartámos-nos de andar de um lado para o outro para ir vendo o que ia passando num e noutro palco e foi uma forma diferente mas gira de viver um dia de festival. À descoberta.

Eagles of Death Metal - Long live rock n' roll. Pure and straight rock n' roll. Curti o som que saia das guitarras, foi um excelente começo de tarde. Conheço pouco o repertório, mas foi um prazer estar ali ao sol a ouvir aquele rock para fim de tarde.

Late of the Pier - Uns miúdos pá! Mas a fazerem música bem animada, com especial ênfase para o "Heartbeat", uma música muito fixe e que animou bem as hostes. A tenda estava a responder muito bem ao concerto!

The Kooks - Nice! Não estava à espera de grande coisa, mas talvez por isso mesmo saí surpreendido pela positiva. Foi um concerto animado, o vocalista puxou bastante pelo público e apercebi-me que têm muitos fãs em Portugal. Talvez a ouvir um pouco mais.

Hadouken - Acho que lhes dediquei cerca de 15 minutos de atenção e calhou logo no mais recente single, "Crank it Up", que é bastante interessante. De qualquer forma, o estilo de mistura musical indie com grime (já denominada grindie) não é a minha cara, mas foi uma boa passagem.

Blasted Mechanism - A opinião geral à minha volta e também a minha é simples - isto sem o Karkov não é a mesma coisa. Vi um pouco mas não muito. Já vi outros deles bem mais animados.

Does it Offend You, Yeah? - Mais uma banda na onda do grindie, como os Hadouken, mas senti que um pouco mais carregados de techno. Não apreciei por aí além... Mas havia pessoal bem animado da tenda. Not sure it was the music....

Placebo - Já começou? Se tivessem continuado a tocar, acho que por esta altura ainda não tinham tocado as músicas que eu queria ouvir. Nem consegui dar a devida atenção às novas músicas, sei que fui um público difícil, mas apetecia-me uns placebo dos velhos tempos e não os últimos álbuns. Eles com certeza que ignorando o que eu queria, fizeram o que lhes deu na real gana e a coisa (para mim) não correu bem. Um concerto de Placebo sem o "Without You I'm Nothing", onde é que já se viu?

Prodigy - Potente. Descarga de energia com todos os seus hits, bem conjugado com músicas do recente álbum, a fechar muito bem o 2º dia do festival. Deu para dançar sem parar, e os tipos puxaram e muito pelo pessoal, especialmente o demoníaco Keith Flint, a correr de um lado para o outro.

(Parte 2/3)

uma música no ar...

O momento de cortar a pulseira de um festival. O sentir que já se passou. O arrumar numa gaveta de um pedaço de pano que arrasta consigo todas as vivências inerentes a esse momento é sempre muito difícil. Mas que se faz com um sorriso, quando nos sentimos recompensados e revigorados pela energia que as bandas, e todo o ambiente de festival nos entrega.

O Optimus Alive!09 não foi excepção. Estive na dúvida até ao fim se iria, principalmente por sentir muito entusiasmo com 5/6 bandas e não saber se isso é suficiente para se aproveitar bem um festival, até porque nos anos anteriores tinhamos tido cartazes maravilhosos no SBSR (2007) e Optimus (2008). Mas enfim, um festival é um festival. E lá fui. E de lá saí com um sorriso e o sentimento que outra opção não faria sentido.

Não quero fazer aqui um texto enorme de análise, vou apenas dizer umas palavras sobre os concertos que vi e deixar algumas fotos (só do último dia, único em que levei máquina, mas já deixei neste post direcções para verem mais), repartindo a análise em 3 posts, um para cada dia do festival.

Dia 1 - 9 Julho

Air Traffic - Conhecia pouco ou nada desta banda, não adicionaram muito mas serviu de bom aquecimento para o que aí vinha no resto da noite.

TV on the Radio - Muito bom! Não tinha ficado com boa impressão do concerto no SBSR07, mas desta vez, e apostando muito no recente álbum "Dear Science" conquistaram-me facilmente. Muita energia em palco, especialmente do vocalista Tunde Adebimpe, qualidade musical. Eles são especiais por não terem um estilo onde se encaixam, conseguem conjugar muito bem diferentes estilos o que a mim me atrai bastante. E aquele "Wolf Like Me" tem uma força bruta única!

Klaxons - Intenso! Mesmo não tendo novo trabalho desde "Myths of the Near Future" já de 2007, é um álbum que só por si permite fazer uma festa! Mostraram ao que vieram ao abrir logo com "Atlantis to Interzone", uma das suas músicas mais dançáveis e animadas e logo agarraram o público que estava ali para dançar. E dançou-se muito! Puxaram todos os seus trunfos, "Golden Skanks", "Magick", "Gravity's Rainbow" e marcaram esta edição do Optimus Alive!

Metallica - Mudança radical de ambiente, da tenda Super Bock para o antro dos metaleiros. Mas que valeu muito a pena, Metallica é uma banda que marcou o meu crescimento musical e após terem vindo cá 2 anos consecutivos em que os deixei passar, desta vez não deixaria tal acontecer. Excelente energia para com o público, nota-se que se sentem em casa no meio dos seus fãs em Portugal e deram um grande concerto, um excelente alinhamento equilibrando músicas do recente "Death Magnetic" com os clássicos de sempre, sendo para mim o ponto alto "One" com muita pirotecnia à mistura.
(Parte 1/3)

sexta-feira, julho 10, 2009

uma música no ar...

Ah, e é verdade, como não levei máquina encarreguei alguém de fazer foto reportagem por mim. É só agarrarem no rato, colocarem em cima desta palavra e clicarem! E no Altamont o repórter oficial Du também já meteu algumas das suas. Muito boas!

Enjoy!

uma música no ar...

Ainda só com um dia (e como todos sabem costumo falar só no final) o Optimus já marcou bastantes pontos. Foram 3 excelentes concertos - Klaxons com muito ritmo e entusiasmo, TV on The Radio a conseguirem animar toda a gente com as excelente músicas do "Dear Science" (fiquei com pena de não terem cantado Family Tree nem Province) apesar de ter sido muito curto e Metallica com muita energia, com um bom equilíbrio entre novo álbum e clássicos. Mas se quiserem mesmo mesmo saber o momento alto da noite, para mim foi este. Klaxons com "Gravity's Rainbow", que ganhou o tão cobiçado prémio de ser a banda sonora de regresso a casa. Êxtase total.

quinta-feira, julho 02, 2009

um olhar...

Chega o Verão, chega a bóia de salvação oferecida de mão beijada pela Medeia Filmes para salvar os que queriam ver determinado filme e naufragaram antes de o conseguir fazer. Este ano no King em vez de no Nimas, mas sempre com a lista de qualidade garantida a que já nos habituaram. No meu caso vai permitir-me apanhar o Hunger, o Almoço a 15 de Agosto, O Casamento de Rachel e mais um ou outro. Dos que vi, aconselho vivamente The Wrestler, Valsa com Bashir, Antes que o Diabo Saiba que Morreste, Do Outro Lado, A Troca, Gran Torino e Milk!

As sessões são 14h, 16h30, 19h, 21h30 para a maioria dos filmes e o preço único (3,5€) uma pechincha face aos 6 euros que andam a pedir na maioria dos cinemas.
Lista completa filmes

Enjoy!

quarta-feira, maio 27, 2009

um olhar...

...de ainda maior destaque ao "Arena", de João Salaviza, pela Palma D'Ouro, para mim o mais prestigiante prémio que um Cineasta pode receber. Para além disso, tenho uma forte relação sentimental com este cartaz...

segunda-feira, maio 25, 2009

um olhar...

E cá estão os vencedores dos Prémios do Cinema por excelência!
IN COMPETTION - FEATURE FILMS

Palme d'Or
DAS WEISSE BAND (The White Ribbon) directed by Michael HANEKE

Grand Prix
UN PROPHÈTE (A Prophet) directed by Jacques AUDIARD

Lifetime achievement award for his work and his exceptional contribution to the history of cinema
Alain RESNAIS

Best Director
Brillante MENDOZA for KINATAY

Jury Prize
FISH TANK directed by Andrea ARNOLD
BAK-JWI (Thirst) directed by PARK Chan-Wook

Best Performance for an Actor
Christoph WALTZ in INGLOURIOUS BASTERDS directed by Quentin TARANTINO

Best Performance by an Actress
Charlotte GAINSBOURG in ANTICHRIST directed by Lars von TRIER

Best Screenplay
MEI Feng for CHUN FENG CHEN ZUI DE YE WAN (Spring Fever) directed by LOU Ye

Prix Vulcain: Artist-Technician
Aitor BERENGUER, sound technician of the movie MAP OF THE SOUNDS OF TOKYO directed by Isabel COIXET.

IN COMPETITION - SHORT FILMS

Palme d'Or
ARENA directed by João SALAVIZA

Special Distinction
THE SIX DOLLAR FIFTY MAN directed by Mark ALBISTON, Louis SUTHERLAND

CAMERA D'OR
SAMSON AND DELILAH directed by Warwick THORNTON (presented at Un Certain Regard)

Caméra d'Or – Special Distinction
AJAMI directed by Scandar COPTI, Yaron SHANI (presented at Quinzaine des Réalisateurs)

UN CERTAIN REGARD

Prix Un Certain Regard - Fondation Groupama Gan pour le Cinéma
KYNODONTAS (Dogtooth) by Yorgos LANTHIMOS

Jury Prize
POLITIST, ADJECTIV (Police, Adjective) by Corneliu PORUMBOIU.

Special Prize Un Certain Regard 2009
KASI AZ GORBEHAYE IRANI KHABAR NADAREH (No One Knows About Persian Cats) by Bahman GHOBADI
LE PÈRE DE MES ENFANTS (Father of My Children) by Mia HANSEN-LØVE

Uma palavra de atenção para o realizador português João Salaviza pela Palma de Ouro para curta-metragem, é um feito extraordinário, bem como para Corneliu Porombouiu e Bahman Gobhadi, dois grandes realizadores de Cinema e cujos filmes vão merecer certamente visionamento. Não sei quando, mas vão!

Enjoy!

quinta-feira, maio 14, 2009

um olhar...


"La Belle Personne", de Christophe Honoré foi, a meu ver, o ponto máximo do IndieLisboa'09. A história é uma adaptação livre de um clássico da literatura francesa do séc. XVII – La Princesse de Clèves, de Madame de La Fayette –, transpondo o cenário original da corte do rei Louis XIV para as salas de aula e corredores de um liceu parisiense que vive cheio de sentimentos, paixões intensas, emocões únicas, próprias de jovens com 18 anos. Christophe Honoré traz-nos isto tudo e ainda as ruas de Paris de Inverno, uma bela homenagem à ópera italiana, as loucuras que a paixão incontrolável leva as pessoas a fazerem, tudo embalado pela voz de um Nick Drake omnipresente. Uma maravilha. Até vos deixo o trailer do filme para que senão eu, este vos grite ao ouvido "Vão ver o filme!!!". Há-de entrar no cartaz um dia destes...

terça-feira, maio 12, 2009

um olhar... Cannes


Começa amanhã e decorre até ao próximo dia 24 de Maio mais um Festival de Cannes, o local onde todos os anos se concentram as maiores maravilhas do cinema mundial. E este ano não é excepção, com o destaque para os mais recentes filmes de Almodovar, Jane Campion, Johnnie To, Tarantino e Von Trier (só para citar os mais mediáticos), no meio de uma lista com qualidade única.

O júri deste ano é presidido por Isabelle Huppert, e conta entre os seus membros com Nuri Bilge Ceylan, James Gray, Asia Argento, Robin Wright Penn, entre outros.

Mais uma palavra para o cinema português, que se encontra representado em 3 frentes; o último filme de João Pedro Rodrigues, “Morrer Como Um Homem”, foi seleccionado para a secção Un Certain Regard, dedicada aos Novos Realizadores, enquanto que os filmes “Ne Change Rien”, de Pedro Costa, e “Canção de Amor e Saúde”, de João Nicolau, vão participar na secção Quinzena dos Realizadores.
Ainda não é este ano que junto uns cobres e me desloco até esta cidade do Sul de França para apreciar in loco o cinema ao vivo e a cores, mas um dia será....

Aqui vos deixo a lista completa da selecção oficial:

Los Abrazos Rotos (Broken Embraces) by Pedro Almodovar (Spain)
Fish Tank by Andrea Arnold (Britain)
Un Prophete (A Prophet) by Jacques Audiard (France)
Vincere (To Conquer) by Marco Bellocchio (Italy)
Bright Star by Jane Campion (New Zealand)
Map of the Sounds of Tokyo by Isabel Coixet (Spain)
A l'Origine (In the Beginning) by Xavier Giannoli (France)
Das Weisse Band (The White Ribbon) by Michael Haneke (Germany)
Taking Woodstock by Ang Lee (Taiwan-United States)
Looking for Eric by Ken Loach (Britain)
Spring Fever by Lou Ye (China)
Kinatay by Brillante Mendoza (Philippines)
Soudain le Vide (Enter the Void) by Gaspar Noe (France)
Bak-Jwi (Thirst) by Park Chan-wook (South Korea)
Les Herbes Folles (Wild Grasses) by Alain Resnais (France)
The Time That Remains by Elia Suleiman (Palestinian)
Inglourious Basterds by Quentin Tarantino (United States)
Vengeance by Johnnie To (Hong Kong)
Visages (Face) by Tsai Ming-Liang (Malaysia)
Antichrist by Lars von Trier (Denmark)

segunda-feira, maio 11, 2009

um olhar...


"El Olvido", de Heddy Honigmann, é um documentário sobre a situação de um dos países mais pobres da América do Sul - o Peru, e mais especificamente da sua capital, Lima. A sua história recente, contada e analisada na primeira pessoa por diferentes intervenientes de diferentes classes, que contam as suas dificuldades, as suas amarguras e a sua incredulidade com o que os políticos lhes têm feito nos últimos tempos. Uma das frases mais marcantes é a de um barman, quando questionado sobre quem irá votar nas próximas eleições - "Temos de escolher entre a Hepatite A e a SIDA...". Um rol de más decisões políticas e corrupção deixou o país com a economia de rastos, altas taxas de desemprego, e uma população entregue à sua própria criatividade para sobreviver. Claro que esta não é uma situação única no continente sul-americano, e esse pensamento é o mais difícil de digerir ao ver este filme - o pensar que tantas e tantas pessoas vivem com estas dificuldades no dia-a-dia... Uma bela descrição do filme é a seguinte frase que se encontra no site oficial do filme, proferida pela própria realizadora:

"'El Olvido' doesn't scream, it whispers. 'El Olvido' doesn't sob; it just cries.
In 'El Olvido' a bird flies over this forgotten city and stops here and there; it flies again and finally becomes a crystal ball that a young man keeps in perfect balance, challenging anonymity."